segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Amazônia pode 'morrer' em 50 anos, diz estudo

A floresta amazônica poderia “morrer” em 50 anos por causa de mudanças climáticas provocadas pelo homem, sugere um estudo internacional publicado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences.

Segundo o estudo, muitos dos sistemas climáticos do mundo poderão passar por uma série de mudanças repentinas neste século, por causa de ações provocadas pela atividade humana.

Os pesquisadores argumentam que a sociedade não se deve deixar enganar por uma falsa sensação de segurança dada pela idéia de que as mudanças climáticas serão um processo lento e gradual.

“Nossas conclusões sugerem que uma variedade de elementos prestes a ‘virar’ poderiam chegar ao seu ponto crítico ainda neste século, por causa das mudanças climáticas induzidas pelo homem”, disse o professor Tim Lenton, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, que liderou o estudo de mais de 50 cientistas.

Segundo os cientistas, alterações mínimas de temperatura já seriam suficientes para levar a mudanças dramáticas e até causar o colapso repentino de um sistema ecológico.

O estudo diz que os sistemas mais ameaçados seriam a camada de gelo do mar Ártico e da Groelândia, em um ranking preparado pelos cientistas, que inclui os nove sistemas mais ameaçados pelo aquecimento global.

A floresta amazônica ocupa a oitava e penúltima colocação no ranking.

Chuva

Segundo o estudo, boa parte da chuva que cai sobre a bacia amazônica é reciclada e, portanto, simulações de desmatamento na região sugerem uma diminuição de 20% a 30% das chuvas, o aumento da estação seca e também o aumento das temperaturas durante o verão.

Combinados, esses elementos tornariam mais difícil o restabelecimento da floresta.

A morte gradual das árvores da floresta amazônica já foi prevista caso as temperaturas subam entre 3ºC e 4ºC, por conta das secas que este aumento causaria.

A frequência de queimadas e a fragmentação da floresta, causada por atividade humana, também poderiam contribuir para este desequilíbrio.

Segundo o estudo, só as mudanças na exploração da terra já poderiam, potencialmente, levar a floresta amzônica a um ponto crítico.

A maioria dos cientistas que estudam mudanças climáticas acredita que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas já começou a afetar alguns aspectos de nosso clima.



Fonte: BBC Londres

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Anvisa aprova teste que detecta HIV pela saliva

da Folha de S.Paulo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o teste de detecção de HIV por via oral. O exame usa a saliva, sai em 20 minutos e é 99% confiável.

Tal como nos EUA, o teste oral não estará à venda nas farmácias. Será usado em centros de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios.

O Ministério da Saúde disse que, com a aprovação, avaliará a inclusão ou não do teste no serviço público. O exame ainda não tem valor definido.

Divulgação
OraQuick, que detecta em 20 minutos o HIV no organismo
OraQuick, que detecta em 20 minutos o HIV no organismo

Testes rápidos

Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou que pretende intensificar o uso dos testes rápidos nas unidades médicas. Segundo dados do Ministério, o acesso dos portadores de HIV ao sistema de saúde é tardio no Brasil, o que dificulta o tratamento.

O relatório "UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007" mostra que 43,7% das pessoas que buscam acompanhamento clínico já estão com uma deficiência imunológica grave ou com quadro com sintomas da Aids. Óbitos no início de tratamento acontecem em 28,7% dos casos.

De acordo com o Ministério, os testes rápidos seriam a melhor forma de melhorar as condições de vida das pessoas portadoras do vírus.

O teste oral, feito com o aparelho OraQuick, pode detectar anticorpos do HIV-1 e do HIV-2 e é fácil de ser aplicado. Basta passar uma palheta (parecida com um cotonete) na gengiva e, então, mergulhá-la numa solução líqüida reveladora. Se o resultado for positivo, duas linhas vermelhas aparecerão.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vírus achado em cavalos pode combater câncer, diz pesquisa

Um vírus achado em cavalos e vacas pode ser usado para combater e até eliminar células cancerígenas, afirma um estudo publicado na revista norte-americana Nature Medicine.

A técnica modifica células do sistema linfático para combater o câncer. Os primeiros testes laboratoriais realizados com ratos foram bem-sucedidos.

Primeiro, os cientistas coletaram um tipo de célula do sistema imunológico conhecida como linfócito T. Depois, colocaram na célula uma pequena dose do vírus da estomatite vesicular (EV) em laboratório, e injetaram as células de volta em ratos com câncer.

O tratamento eliminou os tumores e estimulou uma resposta do sistema imunológico contra o câncer.

O linfócito agiu como um verdadeiro "caçador do câncer" eliminando todas as células de tumor dos nodos linfáticos, fígado e baço. As células sadias ficaram ilesas ao processo.

Ao mesmo tempo, o vírus também ajudou a acionar uma resposta imunológica contra o tumor, melhorando significativamente o combate à doença.

Expectativas

O grupo espera que os resultados possam levar à produção de novos tratamentos para combater alguns dos tipos de câncer mais comuns – o de mama, o de intestino e o da próstata. A pesquisa também pode melhorar o desenvolvimento de futuras vacinas contra o câncer.

A técnica tem sido desenvolvida através da colaboração de cientistas do instituto Cancer Research UK's Clinical Centre, na cidade britânica de Leeds, e da Mayo Clinic, nos Estados Unidos.

O professor Alan Melcher, de Leeds, disse: "Vírus que podem especificamente matar as células do tumor são uma promissora abordagem no tratamento do câncer, e alguns já estão sendo testados em pacientes".

"Neste estudo laboratorial, nós mostramos que o vírus da estomatite vesicular pode ser particularmente eficaz para eliminar as células tumorais que se partem do tumor primário e se espalham através dos canais linfáticos."

"Presos nos linfócitos T, o vírus pode viajar através do sistema linfático, caçando e limpando os nodos linfáticos e potencialmente outros lugares das células cancerosas."

Para Lesley Walker, diretor de informação do Cancer Research UK, os resultados desses experimentos laboratoriais são "animadores".

"O câncer se torna mais perigosos quando se espalha do seu lugar original, então há um grande potencial em tratamentos que focam nesse processo", disse.

"O próximo estágio será identificar que efeitos colaterais o tratamento pode oferecer e se ele funciona em humanos da mesma forma que funciona em ratos."


Cientista cria peixe transparente para ser 'laboratório vivo'

Um cientista americano criou uma nova variedade de peixe transparente que pode ajudar os médicos a entender melhor doenças como o câncer e o funcionamento das células-tronco.

O peixe é uma variedade do popular paulistinha, também conhecido como peixe-zebra – um peixe ornamental de água doce muito comum em lojas de aquarismo do Brasil e que normalmente tem faixas pretas horizontais no corpo.

O peixe foi criado pelo doutor Richard White, do Hospital Infantil de Boston, que disse que a análise do paulistinha transparente pode permitir um melhor acompanhamento de doenças e processos biológicos de evolução rápida.

Segundo White, em estudos sobre o câncer, por exemplo, o método convencional de dissecar um animal com o mal não é satisfatório. "É como tirar uma foto quando você precisa de um vídeo", afirmou.

Experimentos

O próprio pesquisador "testou" o paulistinha transparente, realizando primeiramente um experimento em que analisou a forma como células de um tumor na pele (melanoma) se comportaram depois de terem sido criadas, com um pigmento fluorescente, dentro do abdômen do animal.

Em um período de cinco dias, as células, vistas ao microscópio, pareceram se alastrar da cavidade abdominal para a pele do peixe, onde se sentiriam "em casa".

"Isso nos diz que, quando células de um tumor se espalham para outras partes do corpo, não o fazem de forma aleatória", disse White. "Elas sabem para onde ir."

O pesquisador afirma que os cientistas ainda não sabem ao certo o que leva um tumor cancerígeno localizado a se espalhar para outras partes do corpo, tornando-se posteriormente fatais.

No estudo com o paulistinha, White disse ter sido capaz de ver exatamente como o câncer começou a se espalhar e mesmo como cada célula cancerígena individualmente se multiplicou – em tempo real, em um ser vivo.

Célula-tronco

Em outro experimento que fez, o cientista analisou com detalhes como células-tronco que levam à produção de células de sangue reagiram ao serem transplantadas no paulistinha.

Novamente, o cientista elogiou o uso do peixe transparente, que permitiu até mesmo a observação de células-tronco individuais.

"O que acontece em um organismo vivo é diferente do que o que acontece em uma placa de petri (instrumento cilíndrico de laboratório usado em culturas de células e microrganismos em geral)", disse.

Para criar o novo peixe, o pesquisador simplesmente cruzou duas variedades já existentes de paulistinha, que geraram uma terceira sem pigmentos no corpo.

O paulistinha de White não é o único peixe transparente. Há algumas espécies que naturalmente têm poucos ou nenhum pigmento no corpo, como é o caso do peixe-vidro (Chanda ranga).

Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

BIOBLOG

Cientistas criam espermatozóide a partir de célula feminina

Cientistas britânicos afirmam ter criado espermatozóides a partir de células-tronco da medula óssea feminina - abrindo caminho para o fim da necessidade do pai na reprodução.

A experiência vem sendo desenvolvida por especialistas da Universidade de New Castle que, em abril do ano passado, anunciaram ter conseguido transformar células-tronco da medula óssea de homens adultos em espermatozóides imaturos.

Em entrevista à última edição da revista New Scientist, Karim Nayernia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse que agora os cientistas repetiram a experiência com células-tronco da medula óssea de mulheres, podendo "abrir caminho para a criação do espermatozóide feminino".

No trabalho, ainda não publicado, Nayernia disse à New Scientist estar esperando a "permissão ética" da universidade para dar continuidade ao trabalho, que consistiria em submeter os espermatozóides primitivos à meiose, um processo que permitiria a maturação do espermatozóide, tornando-o apto para a fertilização.

“Em princípio, eu acredito que isso seja cientificamente possível”, disse Nayernia.

O estudo, afirma a revista, poderia possibilitar que um dia, casais de lésbicas poderão ter filhos sem a necessidade de um homem, já que o espermatozóide de uma mulher poderia fertilizar o óvulo da outra.

Brasil

A New Scientist ainda relata uma experiência que está sendo realizada por cientistas brasileiros no Instituto Butantan, em São Paulo.

Segundo a revista, os especialistas estariam desenvolvendo óvulos e espermatozóides a partir de uma cultura de células-tronco embrionárias de ratos machos.

A revista cita o trabalho publicado pelos brasileiros na revista especializada Cloning and Stem Cells (Clonagem e células-tronco, em tradução literal), em que os pesquisadores disseram ainda não ter provado que os óvulos masculinos poderão ser fertilizados e procriar.

“Estamos agora começando experimentos com céulas-tronco embrionárias humanas e, se bem-sucedidos, o próximo passo será ver se óvulos masculinos poderão ser feitos a partir de outras células", disse a coordenadora da pesquisa, Irina Kerkis.

Essas outras células, que se comportariam de maneira semelhante às embrionárias, poderiam ser encontradas na pele humana, afirma a revista.

Isso abriria a possibilidade para que casais gays masculinos também tenham filhos com 100% de seu material genético.

Nesse caso, um dos homens doaria células de sua pele, que seriam transformadas em um óvulo a ser fecundado pelo espermatozóide do parceiro.

Uma vez fertilizado, o óvulo seria implantado no útero de uma mulher.

"Eu acredito que isso seja possível, mas não sei como as pessoas encarariam isso de forma ética", disse Kerkis.

Fonte: BBC Brasil